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Shooting strangers

Olá a todos. Todos sabem do meu interesse por fotografia, e hoje compartilharei aqui um site muito legal sobre isso.

(Clique aqui para visitar o site)

Danny Santos II é um fotógrafo de fim de semana (como ele diz, embora, na minha opinião, ele é um profissional) que gosta de fotografar estranhos nas ruas de Singapura. Ele tem trabalhado com estranhos há 2 anos. Vale a pena conferir. A seguir, uma amostra de uma foto do cotidiano, na chuva.

Bad Weather

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Sou de onde nasci, sou de outros lugares. (Guimarães Rosa).

As pessoas costumam tirar fotos dos lugares a que vão e, principalmente, querem estar na foto em que aparecem os lugares. Cobram-me isso também, não estou livre. “Tire muitas fotos (de) lá”, etc. No entanto, cansei de tirar fotos de mim mesmo quando viajo: resolvi tirar fotos dos outros. Foi dessa maneira que nasceu essa ideia, chamada “Cotidianos de Madri”, e que depois se estendeu para outras cidades de Castella La mancha e Catalunha, na Espanha. Tal desafio consiste em tentar descrever os lugares pelos quais passei não com minhas fotos, mas com fotos de pessoas que moram (ou que passam) nesses lugares. São anônimos que de repente são capturados num instante – qualquer instante – por uma máquina com lente Carl Zeiss 2,8 – 5,2 / 7,9 – 23,7.

Selecionei estas 8 fotos das 57 que eu tirei.

Hesitei por um momento em colocar as descrições abaixo das fotografias, uma vez que há fotos que falam por si mesmas, e não necessitam de alguém que puxe o observador pelas mãos e lhe mostre o caminho. No entanto, as legendas podem facilitar a localização dos retratos. Deixei-as.

Diz-se que a fotografia é a captura do instante imponderável – que jamais retornará. Eis, pois, “Retratos cotidianos”

Amigos observam o Mediterrâneo

Fortaleza de Monjuïc, Barcelona.

Batlló's imagination

Casa Batlló, construída pelo arquiteto catalão Gaudí, Barcelona. Garota fala ao celular e olha os passantes.

Beijo do cine Callao

Passeio público em Madri, próximo ao Cine Callao. Efeito sépia e simetria de pombas. Uma homenagem ao mestre Robert Doisneau, e seu eterno “Beijo no Hôtel de Ville”

Sobre a cidade romana

Praça do Rei, cidade Gótica, Barcelona. Seis metros abaixo da praça foram descobertos vestígios de uma cidade romana.

Futuros madrileños

Praça em frente ao centro de artes Reina Sofia, Madri. Atividade escolar com crianças, uma mulher dança entre elas.

Entre ruas antigas

Cidade Gótica, Barcelona.

Reunião na Plaça del Rei

Praça do Rei, cidade gótica, Barcelona. Três amigos encontram-se na na praça.

Colon

Monumento de homenagem a Colombo, Barcelona.

Renan Belmonte.

Cartier-Bresson - Downtown, New York, 1947

Tenho essa fotografia na porta de meu guarda-roupas, desde os tempos da graduação. Na minha opinião, Henri Cartier-Bresson é um dos mais geniais fotógrafos do século XX, não sem razão considerado o pai do fotojornalismo.

Cidade de Nova Iorque: 1947. Um homem de chapéu, sentado, observa um gato, que também o observa. Um homem e um animal em uma viela escura… no centro de Nova Iorque. O efeito de solidão é atingido pela opressão efetuada pelos dois prédios que, ao redor, erguem-se altivos. No meio da cidade encontra-se um homem solitário.

Para Cartier-Bresson, a fotografia é isso: a captura de um instante irrecuperável, volátil, volúvel – evanescente. A técnica fotográfica (o que se convencionou chamar de “arte” fotográfica) possibilita, entre outras coisas, essa pequena “eternização” do instante. Seu congelamento no tempo, sua deriva no espaço.

O enquadramento visível em Downtown recupera a “frieza” de uma cidade em plena expansão, altos edifícios de madeira e pedra, ninguém passa pela rua. A cor cinza contorna a fotografia e intensifica ainda mais esse efeito.

Cartier-Bresson dominou cirurgicamente a técnica artesanal das lentes… em uma época na qual as câmeras digitais não passavam de meras ideias perdidas nas mentes de alguns visionários.

Renan Belmonte.

A mídia eletrônica – em especial a blogosfera – não fala de outra coisa: Cléo Pires, filha de Glória Pires e Fábio Júnior, será capa da edição comemorativa de 35 anos da revista Playboy. Essa edição, em especial, e como nunca antes, será recheada por dois ensaios distintos protagonizados pela atriz de 27 anos. Zapeando entre links que tratam do assunto e entre fotografias prévias do ensaio que sem demora foram logo colocadas em circulação, deparei-me com a imagem abaixo.

Cleo Pires - por Bob Wolfenson

O corpo (ou o que vemos dele) está levemente inclinado para o lado. O rosto destaca-se por estar devidamente alinhado com a câmera fotográfica. Os olhos nos encaram, impassíveis. Prometem uma penetração irreversível. Ameaçam revelar nosso segredo, se de fato houver algum, mais recôndito. A palavra é essa: “ameaçam”. Mas ao mesmo tempo seduzem. Entre o aço do olhar e a fragilidade do corpo feminino, o espetáculo libera seu volume.

Por conta disso (mas não só), resolvi investigar a emergência da expressão, isto é, os motivos pelos quais as expressões faciais significam tal ou tal coisa. E vejam só: desde tempos imemoriais os homens desejam decifrar os sinais do rosto – ler seus signos, seus sintomas.

A ciência que pretendia ler as marcas do rosto a fim de desvendar a alma do indivíduo chamava-se Metoscopia. A metoscopia é para o rosto o que a quiromancia é para as mãos. Existiam compêndios de metoscopia datados do ano 1658, vejam:

Recorte de J. Cardan, Métoscopie, Paris, 1658. Em: Courtine e Haroche, p. 48.

LEGENDAS 1 – “Rosto marcado por linhas de viagens marítimas” /2 – “Rosto marcado por linhas de viagens terrestres” /3 – “Rosto marcado por linhas de inconstância” / 4 – “Rosto marcado por linhas de usura”. [Cliquem na foto para ampliá-la].

No ano de 1658, algumas pessoas acreditavam que a alma de uma pessoa era exteriorizada através de marcas no rosto. E essas marcas podiam ser lidas – pela metoscopia. Outro exemplo:

Ch. Le Brun, Fisionomias de homens e de animais, 1671 - Foto do Museu do Louvre. Em: Courtine e Haroche, p. 72.

Essa página é de um livro de 1671, que explicava a correlação entre as fisionomias de homens e de animais, segundo a qual, se um homem se assemelhasse com determinado animal, era porque ele possuía as mesmas características de personalidade do animal correspondente. É o caso da imagem acima – a coruja. O homem seria sagaz e esperto como a coruja, uma vez que possuía os olhos atentos e redondos; o nariz pontiagudo e a boca pequena.

Voltando à foto registrada por Bob Wolfenson, de Cléo Pires: a morfologia de seu rosto atesta a paternidade de Fábio Jr.

[FILHA E PAI]

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A princípio, as correspondências físicas são inegáveis. Ok. Mas… e quanto à sua personalidade, suas vontades, seu passado; essas características são explicitadas por marcas faciais? O que se deixa ser compreendido entre o aço do olhar e a lente da câmera?

Até mais!

Renan Belmonte.

Algumas referências

COURTINE, J.-J.; HAROCHE, C. História do Rosto. Lisboa: Editora Teorema.