Quando o discurso político foi tomado como objeto de estudos de uma certa teoria francesa (denominada Análise do Discurso) a partir do final dos anos 1960, considerava-se apenas a modalidade escrita de tais discursos. Dessa maneira, era possível depreender a ideologia que subsistia no regime comunista, por exemplo, por meio de seu programa de governo, os discursos preparados para palanques, os textos que circulavam em jornais, etc.

Posteriormente, reconheceu-se a importância de outros elementos que significavam além da modalidade verbal da fala política. Esses outros elementos encontravam-se no próprio corpo do homem político. A gestualidade empregada quando ele proferia seus discursos, a entonação utilizada, de um lado, para proferir o discurso no palanque e, de outro, para proferir seu discurso na tevê. Assim, o discurso político depende de uma série de fatores além da palavra.

A imagem do homem público também sofreu modificações derivadas da evolução das tecnologias de comunicação. Um exemplo claro dessa questão é a imagem de Lula, modificada progressivamente quando foi declarado candidato à presidência da república em 2003. Posteriormente, Dilma Rousseff também efetuou o percurso de “modalização” da própria imagem.

Renan Belmonte.