Archive for março, 2011


Na esteira das afirmações de que “informação” não é “conhecimento”, mas alertando para o fato de que conhecimento é aquilo que se faz com a informação, disponibilizarei mais um vídeo das possibilidades criadas pela tecnologia: o coro virtual.

O coro virtual é uma nova prática porque depende estritamente da tecnologia para existir. Sem ela, essa manifestação de voz como em uma arena não seria possível. Ela poderia existir sob o signo de outras naturezas materiais, mas não da forma como observamos nesse vídeo.

Encantem-se com Lux Aurumque:

Renan Belmonte.

Anúncios

Com tanta tecnologia à disposição, às vezes é necessário recuar um passos no tempo – somente pra saber onde nos encontramos.

E lembrem-se: “conhecimento” sempre foi diferente de “informação”.

 

 

Renan Belmonte.

O que são dos grandes livros, nessa época em que ninguém lê? Ou lêem outras espécies de escritos?

Iouri Tiniánov, em Formalisme et histoire littéraire, afirmava que “uma época escolhe sempre os fenômenos que lhe são necessários, mas a utilização desses materiais só caracteriza a ela mesma.”

Com isso, quero chamar a atenção para o fato de que a prática de leitura pode estar mudando. Não digo isso para aqueles que trabalham com a língua ou com a literatura, ou mesmo para aqueles no interior das universidades. Refiro-me àqueles que não trabalham com a palavra, ou não devem necessariamente (praticamente) ler.

Várias pesquisas alertaram para o fato de que o tamanho das letras tem aumentado de uns anos pra cá; de igual maneira, o espaçamento entre as linhas.

De fato, quem se entusiasma com um livro de quinhentas páginas, com espaçamento simples e sem imagens? Em detrimento do conteúdo, a tipografia sempre foi (e deve mesmo ser) um chamariz, e, por extensão, um reflexo do que se acredita ser “a leitura” em dada época.

Pergunto-me, então quanto ao conteúdo e à forma, o que é ler Dante Alighieri, Homero, Luis de Camões, Miguel de Cervantes, Charles Dickens, hoje, enquanto hábito compartilhado (por muitos) na contemporaneidade, no ano de 2011, num país tropical de imensa desigualdade social e recentemente flagelado pelas chuvas, chamado Brasil.

Uma vez, li em algum lugar que os países do norte, no período de seu inverno cinza e triste, apresentavam suficiente venda de livros. Convenci-me, durante pouco tempo, que o Brasil não lia porque não tinha um inverno assim, que prendia as pessoas em casa em suas horas de lazer. Sem muito esforço percebi que isso tem a ver com a cultura de cada região, que é ligada a hábitos de leitura, de referências de leitura, de referências históricas.

Ler é difícil. Implica escalar as regiões do alto, onde o ar é rarefeito, não visitadas por quase ninguém. Contudo, é lá onde se escondem os maiores tesouros e os maiores segredos – não sabidos por quase ninguém.

 

Renan Belmonte.

Não foi culpa do homem – dizia um desses programas da tarde, da tevê brasileira. Desta vez, e em partes – digo eu. De fato, o rearranjo das placas tectônicas na região do Japão não é culpa do homem. Mas os desdobramentos apresentados pela falta de energia elétrica responsável por interromper o resfriamento dos quatro reatores da usina nuclear de Fukushima, é.

Não bastasse uma série de tsunamis que arrastaram impiedosamente tudo o que encontravam diante de si, as usinas nucleares do nordeste do território japonês, concebidas para suportar até mesmo colisões com aviões, não suportaram a combinação catastrófica de tsunamis e abalos sísmicos (previstos).

Como sabemos, o território japonês localiza-se na junção de quatro placas tectônicas, e, em função disso, possui uma das melhores tecnologias de prevenção e previsão de acidentes causados por terremotos. Mas outro fator geográfico potencializou a devastação natural ocorrida em Sendai – o mar do entorno. O Japão é cercado pelo mar, e a acomodação de das placas tectônicas ocorreu a pouco mais de 100 km da costa japonesa, o que provocou, além do abalo sísmico, uma onda gigante que lhe foi proveniente.

Os problemas com a usina nuclear de Fukushima geraram debates acalorados em toda a Europa. A França – que possui mais de 70% de sua energia proveniente de usinas nucleares – assistiu esses dias a manifestações diversas cobrando clareza de informação quanto à situação de suas usinas em atividade. A Alemanha – com cerca de 26% de sua energia gerada por usinas nucleares – tomou a medida de desativar aquelas em atividade desde os anos 80.

O Brasil possui Angra 1 e Angra 2. Tudo está bem por enquanto… Não estamos sujeitos a abalos sísmicos, estamos em uma região confortável, bem em cima de uma das placas tectônicas. Dentro dos reatores há fissão de átomos de urânio. Dentro dos países, cada vez mais demanda por energia elétrica. Essas questões se desdobram sobre uma tensão incontornável. Só nos resta esperar para que a situação no Japão melhore. Só nos resta não esquecer também que o Brasil ainda tem sofrido com enchentes e desmoronamentos, famílias desalojadas, etc.

 

Renan Belmonte.