Essa frase, escolhida por Ingrid Betancourt para compor o título de seu livro (Não há silêncio que não termine: meus anos de cativeiro na selva colombiana. Ed: Companhia das Letras), é de Pablo Neruda, poeta chileno. “Meu pai” – dizia ela – “sempre recitava pra mim os versos de Neruda, lembrava deles na selva”.

Neruda é hoje um dos maiores nomes no que se refere ao verso em língua espanhola. Seus textos são fundantes em nossa sociedade, por isso podemos considerá-lo como um escritor canônico. Abaixo, os versos “Me gustas cuando callas”:

 

 

Esse é o poema XV do livro Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, publicado em 1924. Neruda escreveu esses versos quando tinha por volta de 20 anos. Neles, cruzam-se o erotismo referente ao corpo feminino e elementos da natureza. Acreditamos que esse livro conseguiu grande projeção; é uma de suas obras mais famosas, de grande maturidade embora tenha sido escrito com 20 anos.

Seus versos mais geniais, na minha opinião, compõem o famoso poema XX:

 

 

As palavras em espanhol nos textos de Neruda parecem acompanhar o objeto denotado. As palavras se aproximam das coisas de uma maneira que poucos poetas sabem de fato fazer.

Como os grandes poetas, Pablo Neruda habita o espaço sagrado do cânone literário, aquele no interior do qual as palavras contraem uma identidade própria segundo a genialidade de seu autor. Em outras palavras, Neruda é uma leitura obrigatória.

“Gosto quando se cala, porque está como que ausente, você me ouve de longe e a minha voz não te toca.”

Renan Belmonte.