Numa tarde quente do último dia de outubro, o Brasil elegeu sua primeira presidente mulher. Concordo com Fernando Rodrigues (Editorial “Lula 2014” – Folha de S. Paulo, 3 nov) quando ele diz não acreditar que Lula voltará a ser candidato em 2014.

A princípio, pareceu uma estratégia muito bem pensada do PT: eleger uma sucessora de Lula, continuar seu governo (tendo-o nos backgrounds do cenário político) para que ele possa retornar triunfante quatro anos mais tarde. Pensar assim é inocência.

Eis o porquê da inocência: Dilma Rousseff (sua figura) é uma mulher de personalidade forte, militante na guerilha contra o regime ditatorial dos anos 70; tinha tudo para ser uma patricinha, mas preferiu deixar o conforto do seu lar, arregaçar as mangas e enfrentar o que enfrentou. Parece-me que não houve ainda na história política brasileira tal boneco extremamente manipulável. Se Dilma Rousseff fizer um bom governo, por que não irá querer candidatar-se novamente e inscrever seu nome nas próximas páginas da história do Brasil?

Por dois motivos, foi bom ela ter sIdo eleita: 1) não será bom para o Partido dos Trabalhadores se Dilma Rousseff apresentar uma liderança medíocre, borrando a imagem de Lula (veja o caso de Maluf, que disse “Se o Pitta não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim”); 2) a oposição esperará avidamente por um deslize para pensar na legenda para os candidatos de 2014. Por essas duas questões, acredito que Dilma Rousseff será pressionada a governar bem (na direção do combate à miséria e à melhora na educação brasileiras).

Por fim, gostaria de manifestar aqui minha indignação contra as ondas preconceituosas que têm sido feitas em relação ao Nordeste. Se o Nordeste em peso votou em Dilma Rousseff, não é porque nordestino não sabe votar; ao contrário, é porque alguém (diferente dos governos anteriores) prestou atenção nessa região, tão carente de alguns recursos que sobram em São Paulo.

Paulistas, experimentem outras formas de pensar.

 

Renan Belmonte.