Cartier-Bresson - Downtown, New York, 1947

Tenho essa fotografia na porta de meu guarda-roupas, desde os tempos da graduação. Na minha opinião, Henri Cartier-Bresson é um dos mais geniais fotógrafos do século XX, não sem razão considerado o pai do fotojornalismo.

Cidade de Nova Iorque: 1947. Um homem de chapéu, sentado, observa um gato, que também o observa. Um homem e um animal em uma viela escura… no centro de Nova Iorque. O efeito de solidão é atingido pela opressão efetuada pelos dois prédios que, ao redor, erguem-se altivos. No meio da cidade encontra-se um homem solitário.

Para Cartier-Bresson, a fotografia é isso: a captura de um instante irrecuperável, volátil, volúvel – evanescente. A técnica fotográfica (o que se convencionou chamar de “arte” fotográfica) possibilita, entre outras coisas, essa pequena “eternização” do instante. Seu congelamento no tempo, sua deriva no espaço.

O enquadramento visível em Downtown recupera a “frieza” de uma cidade em plena expansão, altos edifícios de madeira e pedra, ninguém passa pela rua. A cor cinza contorna a fotografia e intensifica ainda mais esse efeito.

Cartier-Bresson dominou cirurgicamente a técnica artesanal das lentes… em uma época na qual as câmeras digitais não passavam de meras ideias perdidas nas mentes de alguns visionários.

Renan Belmonte.