Parece que o tema do triângulo amoroso está em alta ultimamente – ou será que sempre esteve? – porque ele atravessa com frequência as músicas pop contemporâneas. A seguir, comparei dois vídeos: o primeiro, a música Thinking of you da cantora Katy Perry; o segundo, a canção A fleur de toi de Vitaa (cantora francesa). Uma canção em inglês e outra em francês com a mesma estrutura.

A certa altura da música, ouve-se:

Cause when I’m with him
I am thinking of you
Thinking of you

Porque quando estou com ele
Estou pensando em você
Pensando em você

O enunciador – aquele que detém a palavra, no caso uma garota triste – dirige-se a um enunciatário (um ouvinte). Esse ouvinte é o amor que ela não esqueceu. Percebemos isso pelo uso de you (segunda pessoa) em detrimento de him (terceira pessoa, o que representa um afastamento).

Guardemos esse fato: uma garota que se declara para um antigo amor.

Próximo vídeo:

Um trecho da letra:

J’essaye de t’oublier avec un autre,
Le temps ne semble pas gommer tes fautes,
Je ne l‘aime pas comme toi.

Lui,
Il a tenté de me consoler
Même si il n’a pas tes mots ni ton passé

Eu tento te esquecer com outra pessoa,
O tempo parece não apagar teus erros,
Eu não o amo com a ti

Ele tentou me consolar
Mesmo ele não tendo tuas palavras nem teu passado

Assim, novamente percebemos a construção:

C (uma pessoa com a qual A está se relacionando no presente)

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A (enunciador feminino)    —–>    B (um amor não esquecido do passado)

A Declarando-se para B (sempre se referindo a C)

O “amor” atual é sempre tratado na terceira pessoa “ele”, il, he – um outro; enquanto o amor do passado é sempre presente na mente da enunciadora, tão presente que ocupa a posição de parceiro no diálogo (segunda pessoa “você, you, tu/toi), para quem a enunciadora se dirige, na música, para realizar a declaração romântica e saudosista.

Até a próxima!

Renan Belmonte.