Certa vez, um grande cineasta brasileiro, quando perguntado por Antônio Abujamra sobre qual livro ele jamais escreveria, respondeu-lhe: “O grande Gatsby.” Não apresentou ao telespectador qualquer argumento. Certamente não os tinha.

Termino a leitura de O grande Gatsby surpreso. Comecei a lê-lo com uma certa opinião negativa e finalizei-o com várias positivas. De imediato, mesmo não sabendo o porquê, descubro que minha admiração se deve à sua linguagem sincrética/sintética. Le mot juste, também presente em mestres como Stendhal e Flaubert, cujo tema minimalista less is more era protagonista em seus trabalhos – definindo-os. Sucesso de público, críticas e número de exemplares vendidos até hoje, não há como negar a importância de The great Gatsby. F. S. Fitzgerald foi contemporâneo de outros escritores de renome, entre eles E. Hemingway e John Dos Passos. Exponho a seguir um trecho interessante de Roberto Muggiati, tradutor e prefaciador do livro em língua portuguesa:

Dos três, Fitzgerald parece o menos revolucionário. Hemingway estonteia e deleita o leitor com suas ricas e alongadas descrições em contraste com os diálogos breves e secos. Dos Passos tentou emular em palavras novas técnicas de comunicação como a reportagem, a fotografia, o cinema, o rádio, atingindo uma nova dinâmica com a sua prosa. Fitzgerald não exagerava nas descrições nem tinha (ou pretendia ter) o diálogo brilhante de Hemingway; nem tentou se aventurar em nenhum experimentalismo vanguardista como Dos Passos o fez. (R. Muggiati).

O livro impressiona por alguns paradoxos. Entre eles, a complexidade e simplicidade do enredo: dois triângulos amorosos e uma relação sem futuro. Tom – Deisy (–Gatsby) / Wilson – Myrtle (–Tom) / Nick e Jordan. As ações ocorrem em Long Island. A linguagem simples e cheia de significado deixa o livro mais leve e fluido. Recomendo; e sendo assim, termino este post com as palavras de um importante crítico de Gatsby, o senhor Matthew J. Bruccoli: “O grande Gatsby não proclama a nobreza do espírito humano; não é politicamente correto; não revela como resolver os problemas da vida; não transmite mensagens da moda ou consoladoras. É apenas uma obra-prima.”

Algumas referências

FITZGERALD, F. S. O grande Gatsby. Rio de Janeiro: Record, 2009.

Até a próxima análise!

Renan Belmonte.